segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Equação do Amor

Em uma escola, como qualquer outra, havia dois jovens um rapaz e uma moça que se gostavam mais por serem timidos tinham vergonha de se encontrar e falar cara a cara. Essa menina e uma moça estudiosa que adorava matematica e o rapaz não gostava tanto assim.
Sabendo disso a moça criou uma equação matematica, escreveu-lhe a em um papel e deu ao rapaz, assim ele ficou sem saber fazer a equação e então começou a estudar estudou como um louco, e no final de tudo a resposta da equação era "TE-AMO". 

A equação era:        

X (AM + BC)    =   AM  -     B C T E   
X + BCO                            BCO +X 

Agora tente responder sem ver a resposta

...
...
...
...
...

Respondeu?
Abaixo a sua resolução:




X (AM + BC)    =   AM  -     B C T E  
     X + BCO                        BCO +X
 
Primeiro multiplica-se a incógnita X pelos termos de dentro do parênteses:
AMX + BCX = AM  -       BCTE   

    X + BCO            BCO + X


Agora, vamos tirar o minimo multiplo comum dos denominadores, mas neste caso X+BCO é igual a BCO+X, então o MMC é o proprio X+BCO. Depois é so igualar os denominadores:

AMX + BCXAM(X + BCO) -     BCTE  

  X + BCO     X + BCO     X+BCO

 
Como os denominadores são iguais podemos eliminá-lo e aproveitamos e resolvemos a multiplicação:
AMX + BCX  = AMX + ABCMO – BCTE
 
Passamos todos os termos que possuem X (a incógnita) para a primeira parte da equação (trocando os sinais):
AMX + BCX – AMX = ABCMO – BCTE
 
Os termos AMX se anulam, e podemos por em evidência BC na segunda parte da equação:
BCX = BC (AMO – TE)
 
Passando BC dividindo temos o resultado, o valor da incógnita que procurávamos:
 X=AMO-TE
OU
X=TE-AMO


domingo, 15 de novembro de 2009

Entrevista a Maria Oliveira







No dia 16 de junho de 2009, os alunos da escola municipal Sagrado Coração de Jesus, em apoio a um projeto feito pela disciplina de Matemática, “Minha Terra, Minha História”, entrevistou a cidadã Maria Oliveira, mais conhecida como Maria de Néo. A entrevista teve como objetivo resgatar a história política de Grossos, bem como algumas músicas das campanhas eleitorais passadas.





Minha Terra, Minha Historia: Seu nome completo?

Maria: Maria Oliveira dos Santos

Minha Terra, Minha Historia: Sua idade, se não quiser não precisa responder?

Maria: Minha idade? E eu não diria por quê? Eu não tenho vergonha meu filho, eu tenho orgulho de já ter vivido tanto, eu tenho 66 aninhos

Minha Terra, Minha Historia: De quantas campanhas a senhora já participou efetivamente?

Maria: Um número exato não sei não, só sei que já foram muitas campanhas, já vi muita gente chorar e muita gente sorrir.

Minha Terra, Minha Historia: Quantas campanhas a senhora ganhou como eleitora?

Maria: Bem, como vocês já perceberam, não sou boa em números não, mais eu sei que ganhei mais que perdi.

Minha Terra, Minha Historia: A senhora lembra-se de alguns apelidos que se davam as campanhas políticas de antigamente?

Maria: Sim, como não, se participei de quase todas, lembro da 1ª campanha de Raimundo Pereira contra Jose Marcelino, onde Raimundo ficou conhecido como o “carcará “ e Jose Marcelino era a “avoeta”. Lembro de outras, mas uma que marcou bastante foi a campanha do “Gato e o Rato”, onde Raimundo era o gato e o rato era representado por Caxica. E aí lembro de outros apelidos como: O pão e o remédio, O galeguinho dos olhos azuis, O pinto e o galo, a rosa vermelha, o gordo, em fim, foram muitos apelidos.

Minha Terra, Minha Historia: De todos esses prefeitos que a senhora já acompanhou, qual o prefeito que a senhora mais gostou?

Maria: Quanto a isso não tenho a menor dúvida, o melhor prefeito na minha opinião, foi Raimundo Pereira. Na época não tinha esse monte de verbas que vem para as prefeituras e mesmo assim, ele fez muita coisa por Grossos.

Minha Terra, Minha Historia: A senhora já se candidatou a algum cargo político?

Maria: Não, nunca me candidatei a cargo nenhum, já fui convidada, mas nunca quis.

Minha Terra, Minha Historia: A senhora lembra-se de alguma musica das antigas eleições?

Maria: Claro, pois era o que eu gostava mais de fazer. Lembro de um trecho da primeira campanha de Raimundo:

- A quatro de outubro vamos todos votar,

- Com Raimundo Pereira e João Amâncio para a eleição ganhar,

- adeus avoeta chegou a vez do carcará...

Lembro também de um trecho da música da campanha de Solon e José Mauricio, essa campanha ficou conhecida como o forasteiro e o filho da terra. Um trecho da musica era assim:

“Solon, Solon me diga como é que é, Zé Mauricio é da terra pra prefeito é que o povo quer

Solon, Solon entrou na cidade errada e por isso que já perdeu é Zé Mauricio que o povo escolheu

Minha Terra, Minha Historia:Trabalhava a onde?

Maria: Trabalhei no Colégio Prof. Manoel João, trabalhei como ASG, eu fazia a merenda dos alunos.

Minha Terra, Minha Historia: Dona Maria, a senhora já votou em algum candidato que tenha se arrependido?

Maria: Sim.

Minha Terra, Minha Historia: Pode nos dizer quem foi? Se não quiser dizer quem foi, nós entendemos.

Maria: Não, prefiro não comentar.

Minha Terra, Minha Historia: Quer dizer por quê?

Maria: Não, apenas me arrependi

Minha Terra, Minha Historia: Olhando as campanhas de hoje, há alguma coisa que a senhora gostaria de ter feito no seu tempo e não fez?

Maria: Nada, tudo que pude fazer eu fiz, não me arrependo de nada, até porque o que eu gostava de fazer era compor as musicas e cantar. Cantava e dançava.

Minha Terra, Minha Historia: Há alguma diferença entre as campanhas de ontem para as de hoje?

Maria: Na questão de amor, de vibração, de paixão pelos candidatos não tem não, a diferença é somente na questão da violência, antes quase não se falava nisso, hoje só se vê é gente brigando, chega da medo acompanhar os comícios , medo de jogarem uma pedra e pegar nas nossas cabeças.

Minha Terra, Minha Historia: O que a senhora gostaria de pedir para as gerações políticas de hoje?

Maria: Olha tem muita coisa pra ser feito em Grossos, porem se for pedir só uma, eu pediria aos prefeitos de hoje que melhorasse a limpeza publica, eu acho nossas ruas muito sujas.

Minha Terra, Minha Historia: Dona Maria, quantos filhos a senhora teve?

Maria: Cinco, morreram dois e ficaram três.

Minha Terra, Minha Historia: Um acontecimento que marcou sua vida?

Maria: Ganhei uma casa para meu filho.

Minha Terra, Minha Historia: Já se envolveu em algum acidente em alguma campanha?

Maria: sim, quebrei a munheca.

Minha Terra, Minha história: Como foi esse acidente?

Maria: Foi agora, nessa ultima campanha, eu vinha andando normalmente, mim enrosquei em um saco desses de caixa de latinhas deixado pelos vendedores e cair, mas graças a Deus fiquei boa logo.

Minha Terra, Minha Historia: Já chorou em alguma campanha?

Maria: sim, mas tive mais alegrias duque tristezas.

Minha Terra, Minha Historia: Já brigou por algum candidato?

Maria: Não, graças a Deus nunca precisei brigar, posso já ter discutido, coisa normal do dia a dia, mas brigar mesmo, nunca.

Minha Terra, Minha Historia: Diga uma frase pra encerrarmos essa entrevista.

Maria: Quero que Deus abençoe a todos vocês, estudem, pois no futuro, quem sabe não serão vocês os candidatos a prefeitos.







Entrevistadores:

Brenda Kelly

Mirley Monalisa

Cintia Kadigia

Erike Renan







Nota:

No dia 09 de julho de 2009, portanto quase um mês após esta entrevista, Dona Maria Oliveira veio a falecer, uma mulher simpática e muito querida por todos dessa cidade, todos agora percebem sua falta quando passamos em frente a sua casa no intervalo das 19:00 horas às 20:00 horas, ficava ali sentada junto com sua família e alguns amigos conversando sobre coisas cotidianas de fim de dia.

Os entrevistadores deixam aqui, uma poesia de Carlos Drummond, em homenagem a essa Legionária da Legião de Maria:





Para Sempre

Por que Deus permite

que as mães vão-se embora?


Mãe não tem limite,

é tempo sem hora,

luz que não apaga

quando sopra o vento

e chuva desaba,

veludo escondido


na pele enrugada,

água pura, ar puro,

puro pensamento.


Morrer acontece

com o que é breve e passa

sem deixar vestígio.

Mãe, na sua graça,

é eternidade.

Por que Deus se lembra

- mistério profundo -

de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,

baixava uma lei:

Mãe não morre nunca,

mãe ficará sempre

junto de seu filho

e ele, velho embora,

será pequenino

feito grão de milho.


Carlos Drummond de Andrade



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Terra de Anjos





O som do vento e do arrastar de pés, era só o que se ouvia, fora isso um silencio quase ensurdecedor. Um grupo de meninos e meninas e no meio, um caixão de anjo.
Como era de costume na época, quando falecia um recém nascido, ele era carregada somente por crianças e eram as próprias crianças, as mais velhas que cavavam e enterravam seus irmãos no cruzeiro. Hoje, ao lado do cruzeiro, foi construída a igreja de São Vicente. Cruzeiro aqui não a é uma planta da família das rubiáceas nem muito menos uma viagem de navio, cruzeiro aqui, é um local onde se tem uma grande cruz e que pra nós tem um valor sentimental – esquecido com o tempo - sublime, pois é lá que estão enterrados vários corpos de anjos.
Quando o grupo de criança passava em frente às poucas casas, os senhores tiravam seus chapéus em respeito à dor dos que acompanhavam, as senhoras não podiam acompanhar, mas ficavam a lamentar e imediatamente autorizava seus filhos a seguirem o cortejo.
O grupo de crianças, a maioria de camisas brancas, fazendo jus a tradição, pouco a pouco ia tomando forma e no meio da estrada de areia pesada, a poeira levantava e lá traz, já bem atrás, acompanhando com um olhar triste até onde alcançasse, uma família em prantos, uns usando os ombros dos outros, se consolavam pela perda de mais um recém nascido e que tinham somente como consolo, a certeza que este ia ser bem recebido nos céus, junto ao Altíssimo.
Em meados das décadas 60 a 70, a população da, até então, pequena cidadezinha de Grossos, tinha uma cultura que foi esquecida com o passar dos tempos, ela enterrava seus anjos – recém nascidos – no cruzeiro. Hoje alguns moradores próximos desse local juram que vez ou outra ouvem choros de crianças no meio da noite. Nisso não acredito, pois tenho certeza que todas as crianças que ali foram enterradas, devem estar bem guardadas junto ao celestial e, se for verdade, choram não por maus tratos, mas com certeza por sentirem saudades de pais e irmãos. Este local hoje é apenas um símbolo de fé, pois nossa geração desconhece desse fato, mas que é bom lembrar, não é somente um lugar costumeiro de acender velas, muitos acendem velas sem saber a real e verdadeira importância do local, sem saber que esse local é um lugar santo, sem saber que nesse local foram enterradas várias e várias crianças, sem saber que esse local é, literalmente, Terra de Anjos.

Prof. Ronaldo Josino

Moda Nacional

O ano de 2006 para os brasileiros foi considerado o ano das CPI’s, atrevo-me a concluir isto devido ao grande número de CPI’s criadas neste ano, foi CPI dos correios, CPI dos bingos, CPI do mensalão, CPI das ambulâncias, também conhecida por CPI das sanguessugas, CPI do dossiê do caseiro e até CPI do cuecão, enfim, CPI pra todos os gostos e desgostos de muita gente, vai gostar assim de CPI lá no... Em Brasília.

Uma coisa é certa, em todas as CPI’s feitas por nossos deputados e senadores, quase nunca encontramos os verdadeiros culpados, não se sabe se é porque os acusados são escorregadiços, não existem ou se é por que alguns deles fazem parte da mesa de investigação, cá entre nós, apostaria na terceira opção.

Bom, pra não ficar de fora dessa, digamos, mania nacional, os vereadores de minha pequena cidade, Grossos, com mais ou menos 10 mil habitantes, resolveram não deixar barato, como não são brasilienses e não queriam invejar os parlamentares lá em Brasília, decidiram não criar uma CPI e sim, uma CEI – Comissão Especial de Investigação.

Baseando-se em possíveis desvios de verbas do então prefeito, nossos vereadores queriam por que queriam afastá-lo do cargo. As sessões eram feitas as terças na câmara e logo que o povo tomou conhecimento, já que era moda, a câmara que poucas vezes viu gente, lotou. Era gente pra todos os lados, em pé, sentada, de colo, apoiada com o pé na parede, gente no ombro de gente, de cócoras, de ponta de pé, enfim, era tanta gente que os mais atrasados tiveram que se contentar lá fora, pois dentro não cabia mais ninguém. Quando acontecia alguma novidade, tipo uma polêmica, gerando assim uma discussão entre os vereadores, imediatamente saia um ou outro da câmara, eufórico, quase gritando pra quem estava lá fora:

- O homem vai sair! O homem vai sair! Neste caso, insinuando que o prefeito perderia o mandato.

Logo um do contra a CEI rebatia:

-- Vai sim! Vai sim! Ele não vai morar aí dentro.

Todos riam, o informante saía meio sem graça, enquanto as atenções se voltavam para a câmara. O ruim pra quem saía da câmara pra dar alguma notícia era que voltar, jamais, pois seu lugar era logo tomado por outro.

Na primeira sessão houve um pouco de tudo, vereadores brigando quase aos murros com vereadores, gente gritando contra, gente de modo tímido torcendo a favor, gente chorando com medo de o prefeito perder o mandato, pois se assim acontecesse, ela também perderia o emprego, vereadora acoimada de bêbada, vereador acusado de ser uma hora o anjo de Deus e outra o príncipe das trevas, vereador acusado de colocar água no leite que vendia, vereador (a) acusado (a) de só estarem ali pelo fato do prefeito ter se recusado de não pagar propina para ficarem do lado dele, gente passando o dedo na cara de vereadora, vereadora fazendo sinal com a mão, mandando o povo se f..., enfim, entre dito e não dito, feito e não feito e nada resolvido, terminou a sessão com todos vivos e com boas perspectivas para a próxima sessão.

Na segunda sessão a coisa foi deferente, os vereadores pediram reforço às autoridades da cidade vizinha para conter a multidão e sem mais espaçar a história, chegaram para proteger a câmara de um possível linchamento ou um ataque terrorista mais de quarenta soldados, todos armados e protegidos por coletes pretos e escudos de vidros a prova de balas, além dos bastões de cor preta em punho, se Hosana Bim Ladem tivesse sabido disso, com certeza teria mandado um de seus homens bomba, só para testar a força e a arrogância ameaçadora desses soldados.

Estes logo, com uma corda de náilon azul, fizeram um cordão de isolamento em volta da entrada da “casa do povo”, para que o povo não entrasse, pense num contraste! Quem se aventurasse a ultrapassar a corda, sova nele. Graças a Deus, ninguém quis se aventurar, também, o povo nunca tinha visto aquilo antes, quando viu, todo mundo ficou assombrado, parecia cena de filme de guerra, se Steven Spielberg tivesse visto, teria ficado hidrófobo de tanta inveja ou no mínimo, gravado as imagens para fazer um futuro filme, imagino até o nome; “Terror em New Grossos”, pense no sucesso! Bateria o recorde de bilheteria, pelo menos por aqui tenho certeza que sim.

A sessão transcorria bem lá dentro, pois só havia os vereadores, o povo que estava todo contido na parte de fora por livre e espontânea pressão, aplaudia quando viam os vereadores que eram do contra a CEI passarem pela porta de vidro e, com a mesma intensidade, vaiavam os que eram a favor, inclusive os soldados, todos sérios, fazendo jus à farda, também não escapavam das vaias, até sabugos de milho verde jogaram nos coitados, que permaneciam lá, em pé, como se fossem estátuas de bronze com suas roupas plúmbeas inconfundíveis.

Não vou aqui encher sua paciência com detalhes de outras sessões, pois entre um fato isolado ou outro, paciente leitor, nada há de especial ou diferente das demais CPI’s que nossos seletos representantes inventam de fazer no nosso país, contudo, se há alguma coisa de dessemelhante das demais, deve ser o fato que nesta em particular, em vez do povo ser a favor, era contra a CEI.

E o fim desta historíola é aquele que vocês já estão cansados de saber, a CEI terminou em pizza, a CEI encerrou seus trabalhos por falta de coro, isto é, o que era insinuações dos vereadores, terminou como sendo mentira e a imagem de ineficiência dos vereadores terminou como sendo verdade, ou seja, o prefeito continua sendo o prefeito e os vereadores continuam sendo eles mesmos, sempre comandados pelo borós.

Assim é a maioria das CPI’s feitas nesse nosso Brasil, tão grande, tão rico, mas tão explorado por homens com visões subjetivas, não dando espaço para este país – que desde seu descobrimento, vem sendo vítima dessas pragas – crescer. Mas não desanimemos, cresceremos assim mesmo, mesmo que seja um passinho de quatro em quatro anos, porém o mais importante disso tudo não é o tamanho do passo, e sim, que este passo ou passinho, não seja dado para trás.


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Homenagem a tia Toinha



Na madrugada do dia 26 de agosto de 2009, começou uma chuva fina, porem molhadeira, interessante é que essa chuva surgiu do nada, pois o tempo que conhecemos como inverno já se passou faz mais de um mês.
Pouco antes de amanhecer o dia, o despertador do celular nos acordou, eram 4: 40, a hora marcada para meu menino levantar, tomar banho, trocar de roupa, comer alguma coisa e ir pegar o ônibus dos estudantes, ao pegar a toalha estendida na área de casa, ele comentou:

- Mãe, esta neblinando, uma neblina fina, fria, triste.
Eu, deitado, ouço, levanto-me e vou dar uma olhada.
Já aproximava das 05h00min horas, o dia começava a clarear, porem nada de raio de sol, as nuvens cinzentas não o deixavam sair, geralmente a essa hora estaria correndo um vento frio, porem hoje, não sabia porque, estava quieto, calmo, silencioso, nebuloso.
A chuva fina, fria e longa, queria me dizer algo e eu, na minha total ignorância, não a compreendia.
Algo naquela chuva - que agora passava a ser apenas uma neblina – me prendia a olhá-la. Pelas flechas do portão, vejo passar um homem cabisbaixo, um cachorro molhado e uma mulher enrolada em uma roupa de chuva de cor amarela, todos, inclusive o cão, pareciam assustadoramente, tristes.
Com um guarda-chuva acompanho meu filho até a parada do ônibus, na rua tudo calmo, silêncio total. Na parada do ônibus encontro um de meus alunos:
- Ei, professor, hoje tem aula?
- Porque não? Indaguei.
- acho que não, pois hoje de madrugada faleceu uma professora, tia Toinha. Ele respondeu.
Nesse momento não disse mais nada, veio na minha mente o entendimento do que essa neblina que chamei de nebulosa queria dizer. Fiquei pensando no seu significado, entendi que o mundo estava a lamentar e chorava uma grande perda, a perda de uma grande professora, e então veio a imagem na minha mente da minha primeira professora.
Tia toinha, professora dedicada, exemplar, professora de riqueza de espírito, minha primeira tia.
Professora de coração, de sangue, de emoção.
Professora bondosa, sedutora de conhecimento, sonhadora, criadora.
Professora dedicada em fazer e o mais importante, tinha prazer em fazer.
Professora da criança, do adolescente, do adulto, do idoso, professora sem distinção, professora impa.
Professora amável, louvável, doce, compreensiva, inclusiva, verdadeira, justa.
Professora feliz, sorridente, autentica.
Professora de caráter, ética, moral, sem igual.
Professora mãe, pai, participativa, afetiva, comunicativa, instrutiva e de caráter indiscutível.
Professora simples, capaz, audaz.
Professora tua, minha, nossa.
Professora tua e minha.
Professora somente minha.
Professora tia Toinha.
Tenho certeza, que o lugar que Deus reserva para os bons professores, o teu tia Toinha, é sagrado.
Prof. Ronaldo Josino

Bibi

Bibi, depois de hoje, a pesca só vai dar boa mesma na próxima lua cheia, né não? Seu companheiro indagou. - Pois ta muito bom, não tenho dinheiro nem pra comprar uma bateira, quanto mais pra comprar um jatinho pra ir pescar na próxima lua! Residente na Rua Santa Cruz do bairro Coqueiros, Edimilson, mais conhecido como Bibi, é um dos muitos personagens que, com sua vida simples, inocente e com certeza singular, faz-nos sorrir cada vez que ouvimos suas histórias ingênuas e ao mesmo tempo hilariantes. Outro dia bibi e seu companheiro de pesca, estavam lá, no meio do rio, pescando de tarrafa, com uma bateira que vez ou outra tinha que tirar a água, pois o barco vazava. Já após vários e vários lances e nada de peixe, Bibi olha para o céu com uma expressão oprimida, cansada e já sem paciência, exclama: - Oh meu Deus, fazei que neste último lance eu pegue um bom peixe para eu poder ir embora pra casa! Dito isto, joga a tarrafa, que se abre em quase um círculo perfeito, espera ela afundar lentamente e então começa a puxar. De repente a tarrafa pesa; - Peguei um peixe! Peguei um peixe! E tem uma coisa, é dos grandes! Seu companheiro, imediatamente solta o remo e vai o ajudar a levantar a tarrafa, depois de todo esforço possível, puxam, para decepção dos dois, um tronco de carnaúba, Bibi olha para seu companheiro, que a essas alturas se encontra com uma expressão abatida, triste de fazer pena, olha para o céu e vai à forra: - E o que é? Deus pensa o quê? Que eu sou cupim? Passados alguns dias, numa tarde de sábado, Bibi vai até a casa de seu companheiro de pescaria, chegando lá, o encontra com uma bíblia na mão, estranha, mas infelizmente – para a minha decepção – não faz nenhum comentário sobre o sagrado livro, em vez disso, pergunta: - E aí, como é, vamos hoje à noite pescar? Já comprei até um litão. - Não, vou não, eu agora sou um homem de Deus,- seu companheiro respondeu - não bebo mais, sou evangélico, sou um pescador de Deus, agora Bibi, eu sou um pescador de almas. Bibi olha para os lados e com seu jeito único conclui sem hesitar: - Pois ta muito bom. Na hora do almoço o cabra comer um pirão de almas, deve ser coisa muito boa! Pense! Conta-se que Bibi foi chamado pela juíza para tratar de sua separação conjugal, da separação dos bens, depois de muito batido da excelentíssima juíza e pouco acordo, Bibi toma a palavra: - Dona juíza é o seguinte, gostaria muito de ficar com ela, mas como ela não me quer mais, vou dividir o que eu tenho assim, do jeito que a senhora quer, pela metade; os meninos não são dois? Então. Um fica com ela e o outro comigo e o rio é o seguinte, de Areia Branca até Morro Branco é dela e do Morro Branco até pras bandas do Remanso é meu, pronto ta feita à divisão dos meus bens, eu prometo que na parte do rio dela eu não ponho um pé se quer. Outra vez Bibi saiu de casa e foi em direção ao rio com um remo e uma tarrafa nas costas, quando um de seus colegas o vendo perguntou: - Bibi, vai pescar? - Não, vou tirar sal, ta vendo não à pá? Bibi é um daqueles homens que pra toda pergunta ele tem sempre uma resposta pronta, na ponta da língua, na bucha como se diz por aqui, ou como queiram, ele é cheio de repentes. Certo dia Bibi foi vender uma tarrafa a um comerciante local, já era quase a hora do almoço: - Quanto é a tarrafa? - Vendo por R$ 50,00 reais. - É de camarão? - Não, é de linha mesmo, do jeito que eu to com fome, se fosse de camarão eu não ia vender, ia era já comer. Certa noite, Bibi e seu velho companheiro, já a várias horas que pescavam de rede e nada de peixe, em uma das tiradas de rede, pra dizer que não veio nada, veio um bagre. - Só um bagre, vou jogar fora. Seu companheiro já conformado, pegou o bagre se aprontando para jogá-lo n’agua. - Não, deixe ele aí, no canto da bateira que eu quero. Bibi contestou e foi apelando pra Jesus: - Jesus, tu tens tanto peixe nesse rio, me das pelo menos uns dez pra eu poder almoçar amanhã! Nisso eles jogam a rede no rio, mas de repente da uma ventania e enrola toda a rede, eles levam a noite quase toda pra desenrolar a rede, quando terminam já esta amanhecendo o dia. Seu companheiro, exausto, conclui: - Vamos embora, to morto de sono. - É vamos, amanhã a gente vem de novo. - Há, e esse bagre Bibi, jogo fora? - Não, me der pra cá. - Jesus, já que você não mim deu nada, ta ir esse bagre pra você fazer um pirão. Nisso joga o peixe no rio. Por incrível que pareça nada disso existe maldade, acredito que é justamente o contrário, existe muita inocência em tudo que faz ou diz. Bibi foi a Mossoró, cidade vizinha a nossa – onde há uma rede de loja com o nome “loja do Papai” - fazer compras. Entrou nesta loja, fez o que veio fazer e foi embora sem nem olhar em que loja entrara. Já próximo onde pegaria o ônibus para voltar a Grossos, uma jovem desconhecida o abordou com uma pergunta: - senhor, por favor, você sabe onde fica a loja do papai? Bibi não teve dúvida, respondeu na bucha: - hora veja só, essa moça querendo fazer hora com minha cara! Você que é filha não sabe, eu vou saber! E saiu danado de raiva. - agente se esbarra com cada uma, é como o povo diz mesmo, quanto maior for a cidade, tanto maior o número de doido! Já eram quase 09: 00 horas de uma certa noite de lua cheia, quando Bibi vinha chegando em sua casa de mais uma pesca e ao se aproximar percebeu que estava tudo escuro, de repente corre um de seus filhos ao seu encontro. - Pai, pai, o homem da cosern subiu no poste e cortou a luz! - homem que nada meu filho, se ele fosse homem de verdade ele subia no céu e cortava aquela ali. Bibi dizendo isso apontou para a lua. Se você perguntar: - Bibi, você ainda mora nos Coqueiros? Ele logo responde: - não, que não sou graúna para morar em coqueiro. Em 2008, Bibi foi participar do concurso da mais bela voz do seu município, na ocasião, antes de iniciar as disputas, Bibi inventou de tomar umas e outras, a organizadora do evento, vendo aquela cena foi logo contestar a condição de Bibi: Bibi, meu filho, não vá beber não, você vai já cantar. - Dona Jurandir, como a senhora mesmo disse, eu vou é cantar, não vou dirigir não. Cantou, foi muito aplaudido e no final, restou-lhe o ultimo lugar, no que ele foi logo protestando. - com as palmas que ganhei, eu era pra ter sido o primeiro lugar, os jurados são um bando de ladrões. Segundo Bibi, homem que é homem, não assiste novela e muito menos toma banho de cócoras.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Fila do leite


- E essa fila que não anda! Diziam uns.
-Também têm gente com dois, três cartões! Lembravam outros. A fila quase alcançava o portão da escola Cel. Solon, onde três vezes por semana (segundas, quartas e sextas) é feita a entrega do leite às famílias carentes escritas no programa do governo. Algumas dessas pessoas escritas pegam o leite com dois cartões, sendo um o da própria, enquanto que o outro é de alguém que não quis vir, estava doente ou no mínimo não quis se aventurar a encarar a tensão na fila.
- Tem gente cortando a fila! Berrou um senhor de cabelos grisalhos.
- Também vou cortar, dona Francisca de seu Amâncio cortou! Explodiu uma senhora com cara de poucos amigos, isto é, amigas.
- Hei, por favor, organize essa fila direito, fica todo mundo ao redor do birô, como vou saber de quem é a vez! Tome carão de Jacinta, esta adora esculachar alguém, pisou em falso, é com ela mesma.
A fila já se tornou um ponto de encontro pra muitas mães e pais que esperam ansiosamente pelos dias de fila, cá pra nós, não sei se essa ansiedade é pela necessidade do leite ou para ter o prazer de compor e fazer parte da tão sagrada fila.
Pra termos uma idéia da importância da fila, há algumas mães que se preparam antecipadamente para a fila, com comentários do tipo:
- Tem leite hoje, comadre Josefa?
- Creio que sim, hoje né quarta? Vamos confirmar com dona Jacinta.
E lá vão elas, mesmo já sabendo que é dia de leite, mas vão assim mesmo, só para terem o gostinho antecipado da fila. Quando chegam para confirmar com Jacinta, coitadas, levam de imediato o primeiro batido, digo o primeiro porque o segundo é mais tarde, na fila.
- Hoje né quarta? Vocês sabem mais que eu que hoje tem leite, vem perguntar por que no mínimo não tem o que fazer.
E lá vão elas, mesmo de cabeça baixo, voltam feliz da vida, pois foi confirmado que hoje é dia de leite, ou seja, dia de fila.
E assim, no dia do leite, forma-se a tão esperada fileira, onde todo mundo, com suas sacolas e cartões em mão, fala, conversa, grita, assobia, menino chora, rir, esperneia, quanto às mães, elas são de uma variedade incrível, tem mãe de barriga, mãe sem, mas que já fez a arte, mãe com a arte nos braços, mãe com a arte nos braços e na barriga, alem daquelas que tem um no cós da saia, outro nos braços e um em pensamentos. Fora as idosas, os idosos, os adolescentes e aqueles que não tem nada ver com a fila, estão lá só para curiar, em fim, o movimento parece uma feira de frutas em pleno movimento de compras.
É nesta hora que muitas senhoras e até senhores, porque não, aproveitam para atualizarem seus conhecimentos, aproveitando que a fila fica na escola:
Matemática – Quantos litros são hoje Marisa? Parece que apenas dois.
Física – Essa tua sacola vai se rasgar com o peso! - Será mulher?
Geografia – Esse leite vem donde mesmo, hem?
- Sei lá, parece que vem de Mossoró.
História – Quarta-feira da semana passada eu não vim e perdi o leite, estava doente.
- E foi mulher, se eu soubesse tinha ido pegar teu cartão.
Em fim, para encerrar.
Sociologia e Língua portuguesa – Mulher, sabias tu que a filha de dona Telmina já não é mais moça?
- Não digas, é mesmo, quem te disse? E por aí a fila vai aos troncos e barrancos em sua caminhada.
Nesta mesma fila há também frases de agressões do tipo:
- Essa bonitinha chegou agora e já recebeu o leite, era só o que faltava mesmo! Esta que chegou por último e sai por primeiro, finge que nem ouviu e vai toda sorridente, o que me parece, provocar mais ainda a fila.
Mas na fila tem também pessoas educadas, que oferece a vez aos mais velhos, oferece ajuda quando se rompe alguma sacola derrubando o leite no pátio, na saída, alguns oferecem caronas,...
O que mais me impressiona na fila do leite, não são os comentários (alguns até graves, como por exemplo – Estão desviando o leite, hoje só distribuíram um litro), mas sim à transformação que acontece nos semblantes das pessoas que, na fila, antes de receber o precioso líquido, estão tristes, cansadas, morosas, enfastiadas, todavia quando obtêm o leite, saem embriagadas de tanta alegria, como se nada tivesse dito, ouvido, visto, sofrido ou feito durante a fila. E ainda com sorriso no rosto, olham para traz, já com uma pontinha de saudade.
Como diz a banda forrozeira Fala Mansa, sai rindo à toa.
E assim, caros leitores, é todo santo dia de leite, isto é, santo dia de fila.

Prof. Ronaldo Josino